poucas providências (ou nenhuma) são tomadas para se conter a violência contra as mulheres. E este é apenas um entre os muitos exemplos de descaso quanto à violência da vida real.
O que estou expondo aqui é um conjunto de opiniões pessoais. Aceito e respeito opiniões diferentes. Porém, tenho tomado conhecimento sobre tantos seminários, palestras, workshops, conferências ou como quer se chamem esses eventos, para discutir o excesso de cenas de violência em filmes, telenovelas e desenhos animados, e isto me traz um sentimento de necessidade de colocar em discussão uma outra questão: a hipocrisia social.
Muitas pessoas dizem que preferem assistir às novelas em vez dos telejornais porque estes ultimamente tem mostrado muitos assaltos, assassinatos, estupros e crimes até então inimagináveis. Será que é porque não querem ver notícias sobre a violência real, ou porque preferem fechar os olhos diante da realidade?
Não estou aqui como advogado dos veículos de comunicação e entretenimento, mas quando eu ouço alguém dizer que a maioria dos crimes ou muitos deles ocorrem por influência do cinema ou da televisão, lembro que a violência sempre existiu em todo o decorrer da história da humanidade. Basta lermos a Bíblia, que conta histórias de violências gravíssimas do princípio ao fim, do Gênese até o Apocalipse Segundo João.
Muitos foram os atos de corrupção política e todas as demais formas de criminalidade praticadas, inclusive no Brasil, antes da televisão e do rádio existirem. O que acontece é que os filmes e as novelas, assim como qualquer obra de ficção - incluindo-se aí histórias em quadrinhos, livros, etc. -
apenas refletem a realidade que a sociedade vive. Em razão disto, consciente ou inconscientemente, muitas pessoas costumam colocar especialmente a televisão no banco dos réus, quando na verdade a culpa é da própria sociedade. A televisão, o rádio, o cinema, etc., são condenados pelas pessoas porque, como estas se sentem impotentes diante de tanta criminalidade, precisam encontrar alguém ou algo para culpar. Realizam-se por todo o pais encontros de pais, educadores, psicólogos em palestras, conferências e outros tipos de eventos para se discutir a violência mostradas nas telenovelas e filmes, que é apenas uma violência fictícia, enquanto pouco ou quase nada se faz para combater a violência doméstica contra mulheres (ver vídeo acima) e crianças, meninas sendo abusadas sexualmente por pais ou padrastos, crianças já viciadas em drogas, assaltos e assassinatos nas ruas das cidades, etc. Acredito que há uma grande perda de dinheiro e de tempo quando se discute a violência da ficção enquanto espaços cada vez maiores estão sendo tomados pela violência real. Em meio a tantas discussões que não trazem benefício algum, o que se evidencia é a violência fomentada pela hipocrisia.