- PROGRAMA "DIÁLOGO ABERTO" -
Entrevistas sobre temas sempre importantes.
De segunda a sexta-feira, das 11 às 12 hs.
Produção: Terezinha Jovita
Apresentação: Regina Trindade
Ouça aqui: http://www.rtv.es.gov.br/web/player_radio.htm

sexta-feira, 4 de março de 2011

A Origem do Cristianismo - tudo começou em Roma.

"Jesus con La Cruz" - quadro de El Greco (Wikipedia) 

Muitas pessoas acreditam que Jesus 
foi o fundador do cristianismo. 
No entanto, definitivamente, 
a fundação da religião 
que ainda hoje tem o maior número de adeptos no mundo
só ocorreu em Roma,
 mais de 300 anos
depois de sua morte. 

Quando alguém lhe pergunta qual é a sua religião, se você diz que é católico, batista, seguidor da Assembléia de Deus, ou luterano, etc., a resposta não está correta. Estas não são religiões, são divisões existentes dentro de uma mesma religião. São as chamadas "denominações cristãs", e seja qual for a que você segue, a sua religião é o cristianismo. Para entendermos melhor como se deu o início do cristianismo, é interessante verificarmos o pouco que se conhece a respeito da vida de Jesus, aquele que, segundo os cristãos, foi o pilar principal - e, para muitos, o verdadeiro fundador - da própria religião.
Segundo o teólogo inglês Richard T. France, "o cristianismo foi fundado com base na adoração a Jesus como o 'Messias', o 'Filho de Deus' e a única altorrevelação de Deus ao homem" e nas ideias e conceitos que ele pregava e defendia" (1). Isto não significa que Jesus tenha sido seu fundador. Ao mesmo tempo, tanto os estudos de Richard France como os de muitos outros teólogos e historiadores revelam esse mesmo Jesus como uma figura historicamente real, nascido em meio a uma insignificante condição social que o tornou desconhecido fora dos domínios do Império Romano durante toda a sua vida (2). 
Nascido pouco depois da morte de Herodes, o Grande, que governava como rei da Judeia (ano 4 a.C.), Jesus viveu por cerca de 30 anos. Segundo o Novo Testamento, frequentemente ele viajava através da Palestina fazendo suas pregações, prevendo a vinda de um "Novo Reino" (que para muitos ainda está por vir), interpretado pelos próprios cristãos até hoje num sentido mais religioso, porém na época visto pelos romanos e pelas próprias autoridades judias como uma ameaça sob o ponto de vista político. Isto o levou à condenação à morte na cruz, a qual, segundo os cristãos, já estava prevista mesmo antes de seu nascimento. O Novo Testamento ensina que Jesus, ao longo de toda a sua vida, sabia que morreria daquela forma e dizia que este era seu destino: o de ter que enfrentar tal penalidade para, na condição de Filho de Deus, obter a salvação para a humanidade. Porém há relatos bíblicos que informam que, antes de morrer, Jesus realizou milagres: fez um morto (Lázaro) ressuscitar, cegos voltarem a enxergar, paralíticos voltarem a andar, etc. 
A partir daí, os relatos sobre Jesus - inclusive os que dizem que ele teria voltado da própria morte e foi visto vivo por vários de seus amigos e seguidores - são considerados como verdades pela fé por não haverem evidências materiais possíveis de serem consideradas como provas de que isto tenha ocorrido. Por outro lado, a inexistência dessas evidências não deve ser considerada como uma prova de que tais coisas não aconteceram. Neste campo, é necessário respeitar os direitos, as opiniões, as crenças e as razões de cada pessoa que nelas crê ou não crê. 
O que os registros históricos comprovam é que um dia, não se sabe em que ano, mas algum tempo depois que Jesus morreu, chegou em Roma um homem chamado Simon Bar Jonah"(Simão, Filho de Jonas" em aramaico, o idioma falado em Israel na época de Jesus). Era aquele o verdadeiro momento decisivo para o estabelecimento do cristianismo como religião. Os Evangelhos dizem que por esta época Simão era chamado "Pedro", porque Jesus lhe teria dito: "Tu serás chamado Pedro porque és a pedra sobre a qual edificarei a minha igreja." Neste caso, torna-se óbvio que "Pedro" é um "aportuguesamento" da palavra "petrus" ("pedra" em latim). Portanto, o fato de Jesus ter usado uma palavra em latim (o idioma oficial de Roma na época), e não uma palavra ou expressão com o significado de "pedra" em aramaico (o idioma falado na própria região em que ele vivia e se encontrava naquele momento), parece ser uma confirmação de que ele mesmo já sabia que o verdadeiro início do movimento cristão se daria em Roma. As razões para isto são óbvias: Roma, na época, era considerada pelos próprios romanos como a "Capital do Mundo", e Jesus sabia que por isto mesmo seria o local ideal para se iniciar a propagação da fé para o mundo de então, já que não se poderia divulgá-la a partir de Jerusalém porque os romanos e os seguidores de outras religiões teriam dificuldades para entender por que Deus escolheria para esta finalidade uma cidade já então derrotada e destruída por seus inimigos. 
Evidentemente, quando Simão - ou "Pedro", como preferirem - chegou em Roma, perigos iminentes o esperavam. Por razões políticas, é claro. Como todos os outros cristãos em Roma, foi acusado de ser ateu por não aceitar as crenças religiosas dos romanos. Os cristãos também eram equivocadamente interpretados pelos romanos de "judeus", pois estes ainda não viam as diferenças entre o judaísmo e o recém surgido cristianismo. Eram também acusados de serem subversivos por serem vistos como uma ameaça à espiritualidade social do Império Romano. 
Incitado pela aristocracia e pelas autoridades romanas que temiam perder seus privilégios sociais e políticos, grande parte do povo romano via os cristãos como seus piores inimigos e lhes aplicou uma severa perseguição que gerou muitas mortes horrendas. Pedro foi crucificado como Jesus, porém de cabeça para baixo (3). O romano Saulo, convertido ao cristianismo e conhecido como Paulo, foi considerado pelos romanos como um traidor e, como tal, foi decapitado. 
Muitos cristãos foram perseguidos durante séculos, até que, cerca de 300 anos depois, por volta do ano 312, o Império Romano concluiu que as perseguições prejudicavam o próprio Império, já que o cristianismo pregava o respeito à dignidade humana. Por isto, naquele ano, o imperador Constantino concedeu aos cristãos a liberdade de culto. Porém somente cerca de 70 anos depois o cristianismo se tornou oficialmente uma religião, mas em Roma e com o reconhecimento pelo império. Em seguida, veio o estabelecimento da posição do bispado de Roma, que deu origem à Igreja Católica Apostólica Romana, hoje popularmente conhecida apenas como "Igreja Católica" ou "catolicismo". Com o passar dos anos, durante a Idade Media, surgiram entre os cristãos muitos descontentamentos em relação às determinações e ações dos líderes católicos, o que gerou movimentos como o liderado por Martin Luther (no Brasil chamado de "Martinho Lutero"), e que deram origem às chamadas "Igrejas Protestantes" - ou, como dizem hoje seus adeptos: "Igrejas Evangélicas". Mas esta é uma outra história para outra ocasião.


(1) Richard T. France, em "Jesus" - publicado em "The World's Religions" ("Religiões do Mundo"), pela Lion Publishing plc., na Inglaterra.
(2) Jesus nasceu e viveu em Jerusalém quando a cidade estava sob o domínio do Império Romano. 
(3) Deve ser por isto que a cruz invertida é considerada um símbolo demoníaco.


Fontes de pesquisa: 
"The World's Religions" - Lions Publiching plc
Enciclopédia Conhecer - Volume A-Esp (capas) - Editora Abril 

2 comentários:

  1. Quando iniciei minha pesquisa diletante acerca da origem do cristianismo, eu já tinha uma ideia formada que pode parecer esdrúxula: nada de Bíblia, teologia e história das religiões. Todos os que haviam explorado esse caminho haviam chegado à conclusão alguma. Contidos num cercadinho intelectual, no máximo, sabiam que o que se pensava saber não era verdade. Dentro desses limites reina a teologia e não a história. É isso o que a nossa cultura espera de nós, pois não tolera indiscrições. Como o mundo não havia parado para que o Novo Testamento fosse escrito, o que esse mesmo mundo poderia me contar a respeito dessa curiosidade histórica? Afinal, o que acontecia nos quatro primeiros séculos no mundo greco-romano, entre gregos, romanos e judeus? Ao comentar o livro “Jesus existiu ou não?”, de Bart D. Ehrman, exponho algumas das conclusões as quais cheguei e as quais o meio acadêmico de forma protecionista insiste ignorar.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

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